30 de julho de 2021 marca o “Dia Mundial Contra o Tráfico de Pessoas” das Nações Unidas — um dia dedicado ao fim do tráfico de pessoas, um crime horrendo que afeta mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo. Dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) mostram que, entre 2003 e 2018, 225.000 vítimas de tráfico foram identificadas em todo o mundo, incluindo mulheres, crianças e homens — metade das quais foram traficadas para exploração sexual e 38% para trabalho forçado. Só em 2018, cerca de 50.000 vítimas de tráfico humano foram identificadas por 148 países, sendo as mulheres a população mais explorada (46%) ao lado de meninas (19%). Uma em cada três vítimas identificadas é criança.

30 de julho de 2021 marca o “Dia Mundial Contra o Tráfico de Pessoas” das Nações Unidas — um dia dedicado ao fim do tráfico de pessoas, um crime horrendo que afeta mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo (Crédito: UNODC)

A ONU relata que a proporção de crianças entre as vítimas triplicou, enquanto a proporção de meninos aumentou cinco vezes ao longo dos 15 anos analisados. A ONU observa que, embora existam leis sobre o tráfico de pessoas na maioria dos países, o fenômeno está longe de desaparecer.

O tráfico de pessoas é um grande negócio (veja detalhes na barra lateral) e, embora o crime organizado tenha controle sobre as operações de tráfico internacional, grande parte do tráfico e da exploração é feita localmente por gangues e exploradores locais.

A crise da COVID não ajudou. O Relatório de Tráfico de Pessoas de 2021 feito pelo Departamento de Estado dos EUA cita uma pesquisa do Escritório de Segurança e Cooperação, entidade do Escritório de Instituições Democráticas e Direitos Humanos (ODIHR) da OSCE da Europa e da ONU Mulheres que diz: “que quase 70% dos sobreviventes do tráfico de 35 países relataram que seu bem-estar financeiro foi fortemente afetado pela COVID-19 e mais de dois terços atribuíram um declínio em sua saúde mental a isolamentos impostos pelo governo, desencadeando memórias da situação de exploração.”

O Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC) dos EUA relatou um aumento de 98,66% nas denúncias de aliciamento on-line entre janeiro e setembro de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019, e as denúncias em seu sistema CyberTipline dobraram, indo para 1,6 milhão.

Quanto isso vale em dólares? A Trafficking in America Task Force afirma que, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT):

  • O trabalho forçado na economia privada gera US $ 150 bilhões em lucros ilegais por ano, cerca de três vezes mais do que o estimado anteriormente.

  • 2/3 do total estimado desses US$ 150 bilhões, ou seja, US$ 99 bilhões, veio da exploração sexual comercial, enquanto outros US$ 51 bilhões resultaram de exploração econômica forçada, incluindo trabalho doméstico, na agricultura e em outras atividades econômicas.”

Enquanto as agências de segurança pública em todo o mundo, em nível nacional e local, tentam desesperadamente combater crimes de tráfico e exploração infantil (sendo a unidade ICAC de Seattle apenas um exemplo aqui nos EUA), organizações sem fins lucrativos também desempenham um papel fundamental. Um grupo que está fazendo grandes avanços para combater o tráfico na Tailândia, na Índia, nas Filipinas e na América Latina é The Exodus Road.

Fazendo a diferença — Um resgate por vez

The Exodus Road, com a ajuda do treinamento e de recursos estratégicos da Cellebrite, está fazendo grandes avanços para combater o tráfico em todo o mundo (Crédito: theexodusroad.com/)

Cofundada por Matt e Laura Parker em janeiro de 2012, The Exodus Road (TER) nasceu quando o casal se mudou com sua família para a Tailândia em 2010 e viu as injustiças que aconteciam enquanto dirigiam uma casa infantil para meninas de tribos de colinas na zona rural do norte da Tailândia.
Vendo como estavam tirando vantagem dessas garotas marginalizadas.
Matt começou a trabalhar com ONGs na luta contra traficantes e, por fim, trabalhou com a polícia tailandesa, usando disfarces e usando câmeras escondidas no corpo, passando-se por um “John”, pessoa interessada em sexo ou venda, para prender criminosos.

Matt levou sua missão para outro patamar em 2012, quando ele (agora CEO) e Laura (agora presidente) lançaram TER com a missão de ajudar a segurança pública a deter traficantes que usam força, fraude ou coerção para controlar as vítimas com o propósito de utilizá-las para trabalho forçado ou serviços sexuais contra sua vontade.

Como Matt explicou, TER não lidera de fato as operações de resgate ou prende sozinha os traficantes. Ela ajuda a fornecer à polícia evidências críticas para que ela possa seguir em frente com os mandados. Sobretudo, TER oferece suporte para agências e vítimas em três áreas principais:

Treinamento: o programa TraffickWatch Academy da TER educa policiais, profissionais de ONGs, estudantes e comunidades com conteúdos de qualidade e envolventes de diversos líderes da comunidade contra o tráfico.

Intervenção: através de seu programa de busca e salvamento, TER tornou-se especialista em ajudar a polícia a encontrar e libertar sobreviventes e prender traficantes para processos legais. TER treina agentes locais para identificar vítimas, construir casos efetivos, utilizar tecnologias e equipamentos secretos e apoiar a segurança pública nas operações.

Pós-cuidado: O programa Além do resgate de TER atende sobreviventes e os explorados nos países onde a organização trabalha. Utilizando uma abordagem informada de trauma e trabalhando em colaboração com a parceria de outras ONGs, TER adapta exclusivamente os serviços de pós-cuidado para atender aqueles que mais precisam nas áreas em que atuam.

Com sete escritórios mundiais e uma equipe de 80 funcionários, TER atua no momento em seis países globalmente. Até o momento, eles ajudaram a polícia nos resgates de pouco mais de 1.500 vítimas de tráfico e possibilitaram a prisão de mais de 820 criminosos e traficantes nos países em que atuam.

O tráfico hoje

Embora seja quase incompreensível que o tráfico humano esteja acontecendo em tão larga escala, Matt foi taxativo sobre os principais fatores. “O que impulsiona [o tráfico sexual] é a demanda por sexo barato, o desespero de comunidades vulneráveis e pessoas que estão dispostas a explorá-las para obter lucro.” Matt declarou.

Curiosamente, embora o crime organizado esteja muito envolvido em operações internacionais de tráfico de pessoas em nível global, grande parte do tráfico humano é conduzido e controlado localmente. Como Matt explicou: “Acho que é uma percepção errada que o tráfico de pessoas envolve apenas vendas internacionais. Não. O tráfico de pessoas ocorre para apoiar a demanda local.”

A economia, especialmente pós-COVID, também tem sido um grande fator, pois vítimas de países empobrecidos buscam empregos (e supostas riquezas) em outros lugares. Algumas assinam contratos com promessas de pagamento que nunca são cumpridas. Outras podem ter uma vaga ideia de onde estão se metendo (sexo pago), mas não percebem o nível de perigo e exploração das situações da armadilha em que se encontram. 

Como a Cellebrite está ajudando

 

Trabalhando em parceria com TER, a Cellebrite oferece treinamentos e recursos estratégicos para equipes de investigação que, de outra forma, não teriam acesso a soluções tecnológicas.

Matt lembrou de uma investigação em que os criminosos estavam levando milhares de rohingyas da Birmânia para a Malásia, os sequestrando e vendendo para as indústrias de pesca ou sexo, o que vinha acontecendo há 10-20 anos. Todos sabiam disso, mas ninguém conseguia provar nada, porque havia diversos policiais corruptos protegendo a operação. Foi quando a tecnologia da Cellebrite foi empregada por bons policiais que tiveram a coragem de seguir em frente, sabendo que evidências reais poderiam ser identificadas e os autores, incluindo um general tailandês, levados à justiça. As informações coletadas legalmente de um único dispositivo UFED foram suficientes para abrir o caso.

Trabalhando em parceria com TER, a Cellebrite oferece treinamentos e recursos estratégicos para equipes de investigação que, de outra forma, não teriam acesso a soluções tecnológicas, ajudando a agilizar o processo jurídico. (Crédito: Shutterstock)

Junto com a UFED, a solução de Análise investigativa da Cellebrite é uma das principais ferramentas empregadas por agências em todo o mundo para:

  1. Agilizar os casos
  2. Focar no que importa
  3. Reconhecer pessoas, lugares e objetos
  4. Pular para cenas relevantes no vídeo
  5. Criar suas próprias categorias de mídia
  6. Analisar qualquer formato de vídeo
  7. Ver identificadores como uma única pessoa
  8. Visualizar relatórios de casos

A Cellebrite acredita em apoiar a missão vital de TER. Como parte da parceria entre a Cellebrite e a TER, o Treinamento Cellebrite doou vagas de treinamento para as aulas de CCO e CCPA da Cellebrite. TER usará essas aulas para treinar parceiros de segurança pública em métodos e técnicas de investigação forense digital.

O Treinamento Cellebrite também contribuiu para o Programa de treinamento TraffickWatch de TER. O TraffickWatch foi projetado para educar oficiais da segurança pública em relação aos processos e técnicas necessários para investigar e processar com sucesso casos de tráfico de pessoas. O Treinamento Cellebrite também auxiliou no desenvolvimento e na entrega de um segmento de vídeo que respaldasse esse objetivo. A peça de vídeo focou em métodos e estratégias para identificar evidências digitais, aproveitar dados digitais para investigações e entender as práticas recomendadas de manuseio e coleta de evidências digitais.

“Falando por experiência própria, não há nada mais gratificante do que saber que nossa tecnologia ajuda a salvar crianças, mulheres e homens que foram vítimas do tráfico e da exploração e a defender os direitos humanos básicos para que sejam livres. Estamos orgulhosos de que as soluções de inteligência digital e os membros da nossa equipe estejam ajudando a acelerar o processo jurídico, fechar o círculo para as vítimas e manter a segurança pública e pessoal dos cidadãos.”

O futuro do tráfico

Olhando para o futuro, Matt vê uma oportunidade significativa para combater melhor o tráfico humano com a Cellebrite. Ele explicou dessa forma: “Não basta apenas resgatar os que estão sendo vitimados, porque os traficantes vão vitimar outra pessoa. Nós realmente temos que derrubar a organização criminosa, e é aí que Cellebrite é única… Para combater as atividades de tráfico de pessoas, ter soluções Cellebrite em mãos de todos os nossos parceiros policiais e muito além é um sonho.”

“Pessoalmente, este trabalho é sobre uma garotinha, um garotinho, um homem ou uma mulher que estão agora em algum canto escuro do mundo, que caíram em uma armadilha, eles não têm ideia de como voltar para casa e estão apenas rezando para que alguém os ajude a voltar em casa”, acrescentou.

“Muitas vezes, basta dar acesso à tecnologia certa ao policial certo, e ele mudará o mundo para pelo menos uma, senão centenas de pessoas. Isso é o que me faz continuar.”

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