Mensagens de texto levam à prisão por tráfico humano
A rápida adoção do uso de celulares em todo o mundo e o crescente número de modelos de dispositivos são uma dádiva e um infortúnio para as agências policiais que investigam casos de exploração sexual infantil. Embora o número de fontes de evidência possíveis, como dispositivos (smartphones e computadores), nuvem e aplicativos sejam enormes e crescentes, ter a capacidade de acessar, gerenciar e analisar os terabytes de dados recebidos deles está sobrecarregando muitos laboratórios criminais.

As equipes de investigação precisam de ferramentas que possam agilizar o processo, preservar as evidências digitais com solidez forense e permitir a produção de relatórios de fácil leitura para que os promotores possam levar os casos ao tribunal. As soluções de Inteligência Digital da Cellebrite (a capacidade de acessar, gerenciar e analisar dados digitais para acelerar as investigações), que agora oferecem suporte a milhares de dispositivos móveis e mais de 31.000 perfis de dispositivos, estão ajudando as agências policiais em todo o mundo a resolver mais casos de forma mais rápida como ilustra um recente caso de exploração infantil em Chiapas, México.

Os “crimes contra a dignidade humana” estão aumentando em Chiapas
Chiapas é o estado mais meridional do México – e uma terra de contrastes. É rico em belezas naturais e história, mas seus cidadãos passam dificuldades com a pobreza alimentar e material. E embora o estado tenha sido classificado recentemente como o mais seguro do país, com base nas baixas taxas de crimes de alto impacto, como homicídio, roubo de veículos e roubos a residências e empresas, o feminicídio tem aumentado.[1] Chiapas, que faz fronteira com a Guatemala, também é o estado mexicano mais vulnerável ao tráfico de pessoas.[2]

“A Cellebrite oferece suporte a vários dispositivos diferentes, muito mais do que as soluções concorrentes, motivo pelo qual a nossa equipe prefere usar esta tecnologia.”

O rápido crescimento do uso de dispositivos móveis e da Internet tem ajudado a impulsionar a expansão dos “crimes contra a dignidade humana” em Chiapas, incluindo tráfico de pessoas, pornografia infantil e disseminação digital de conteúdo íntimo, disse o inspetor-geral Levi Pineda. Ele chefia o laboratório de perícia da Unidade de Polícia de Crimes Cibernéticos da Secretaría de Seguridad y Protección Ciudadana, Gobierno de Chiapas.[3] É um investigador conhecido e respeitado no México, que muitas vezes compartilha as melhores práticas com seus colegas sobre a melhor forma de abordar investigações e usar tecnologia como a da Cellebrite no trabalho.

Resolver crimes contra mulheres e menores em Chiapas, além de acompanhar o escopo geral dessa atividade tem sido um desafio devido a irregularidades de dados em investigações que dificultam o julgamento de criminosos – e garantir que as acusações sejam cumpridas. Uma maneira que os funcionários públicos do estado têm trabalhado para resolver esse problema é fortalecer a capacidade forense geral do estado.[4]

O inspetor-geral Pineda e sua equipe estão, portanto, na linha de frente ajudando o governo de Chiapas a coletar e documentar dados de forma mais eficaz nas investigações criminais. E eles estão usando as soluções de Inteligência Digital da Cellebrite para coletar e analisar dados digitais de uma gama cada vez mais diversificada de dispositivos móveis que encontram em suas investigações – e fornecer relatórios claros e convincentes aos promotores que os estão ajudando a enviar e manter os criminosos na prisão.

Um mandato para descobrir métodos de recrutamento para o tráfico humano
O inspetor-geral Pineda lidera uma equipe multidisciplinar composta de 13 investigadores na Unidade de Polícia de Crimes Cibernéticos, estabelecida pela procuradoria distrital. Muitos dos investigadores têm experiência e certificações em TI. A própria lista de credenciais cibernéticas do inspetor-geral Pineda inclui as designações de Certified Ethical Hacker (CEH) e Computer Hacking Forensic Investigator (CHFI).

“Nossa equipe é extremamente qualificada”, disse o inspetor-geral Pineda. “E nossas certificações profissionais ajudam a validar ainda mais o trabalho que fazemos, especialmente quando precisamos coletar dados digitais manualmente nas investigações.” Ele diz que sua equipe também recebe treinamento direto do laboratório forense da Guarda Nacional do México desde 2015. Em 2021, eles planejam participar do treinamento de Inteligência Digital da Cellebrite e obter as certificações Cellebrite.

A polícia de Chiapas, que conta com 15 policiais, é parceira do Ministério Público nas investigações. Eles acionam a Unidade de Polícia de Crimes Cibernéticos para casos que exigem coleta de inteligência digital e análise de perícia digital. Fraude e extorsão são os crimes que a polícia de Chiapas deve investigar regularmente. Frequentemente, atores do crime organizado estão envolvidos nestes casos. E como esses crimes podem infligir um pesado dano psicológico às vítimas, a Unidade de Polícia de Crimes Cibernéticos muitas vezes deve trabalhar em estreita colaboração com psicólogos e advogados durante as investigações, comenta o inspetor-geral Pineda.

A polícia de Chiapas e a Unidade de Polícia de Crimes Cibernéticos têm a tarefa de identificar os meios de recrutamento para o tráfico de pessoas – na verdade, faz parte das atribuições destas entidades. A fim de cumprir esta atribuição, o inspetor-geral Pineda afirma que sua equipe monitorará e analisará de perto as mídias sociais, por exemplo, para detectar publicações que possam estar relacionadas ao tráfico de pessoas. “Identificamos uma publicação suspeita e colaboramos com o Ministério Público para investigá-la”, explica, acrescentando que o promotor fornece um parecer sobre esta “primeira evidência” e autoriza se a polícia pode investigar mais.

A necessidade de reunir evidências irrefutáveis em um espaço de tempo muito curto
Algumas vezes, a polícia de Chiapas colabora com uma organização privada sem fins lucrativos, o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC), com sede nos Estado Unidos. O NCMEC atua como um centro nacional de coordenação e recursos para informações sobre crianças desaparecidas e exploradas. O banco de dados mundial do NCMEC é um recurso inestimável para investigadores que trabalham em casos de exploração infantil. Embora o NCMEC não participe ativamente das investigações, cópias dos materiais apreendidos podem ser enviadas por meio de agentes policiais que podem comparar os dados apreendidos com as informações do banco de dados do NCMEC, de forma a identificar se uma vítima explorada apareceu em quaisquer outros casos nos EUA ou internacionalmente.

“O NCMEC nos enviará evidências, por meio da Guarda Nacional Mexicana, sobre o rastreamento e casos de pornografia”, complementa o inspetor-geral Pineda. “Nossa organização fará a investigação preliminar e documental. E então, se houver uma investigação de campo, a Unidade de Polícia de Crimes Cibernéticos será chamada para conduzir a análise de perícia digital. Trabalhamos com um modelo aprovado que foi criado e é administrado pela Guarda Nacional Mexicana, por meio da Divisão Científica Geral.”

Para este trabalho, a Unidade de Polícia de Crimes Cibernéticos costuma usar o Cellebrite UFED para acessar e extrair dados digitais de dispositivos móveis e o Cellebrite Physical Analyzer para transformar os dados criptografados em inteligência útil para as investigações. Estas ferramentas foram inestimáveis para a coleta de evidências em muitos casos de tráfico de pessoas, de acordo com o inspetor-geral Pineda, especialmente quando há apenas um curto espaço de tempo disponível para extrair dados.

Resumo da extração no Cellebrite Physical Analyzer. (Imagem: Cellebrite)

Ele ressalta um caso recente envolvendo a prostituição de menores. A Promotoria Pública de Tuxtla Gutiérrez, capital de Chiapas, contatou especificamente a Unidade de Polícia de Crimes Cibernéticos, solicitando assistência em uma “intervenção de comunicação” na investigação. A investigação centrou-se em um indivíduo, que o Ministério Público descreveu como alguém “envolvido na prostituição de menores e que os transportava por meio de um moto-táxi” para motéis locais, onde encontrariam os clientes.

“Segundo a lei mexicana, a autorização judicial de qualquer tipo de intervenção de comunicação é necessária para que as evidências descobertas ou extraídas sejam consideradas válidas pelos tribunais”, explica o inspetor-geral Pineda. “Fomos incumbidos de fornecer evidências de que o suspeito estava envolvido na atividade descrita. E o Ministério Público nos deu apenas cinco dias para extrair e analisar os dados de quatro celulares.”

Depois de explicar como eles investigariam e quais ferramentas usariam – ou seja, Cellebrite UFED e Cellebrite Physical Analyzer – a Unidade de Polícia de Crimes Cibernéticos começou a trabalhar coletando dados digitais dos dispositivos: dois telefones Samsung, um LG e um Azumi. Ao empregar a tecnologia da Cellebrite, a equipe conseguiu extrair o tipo de informação que procurava muito rapidamente, diz o inspetor-geral Pineda, “Conseguimos ver as mensagens de texto relacionadas à exploração infantil, as quais pudemos relatar e compartilhar com os investigadores principais”.

“Estas mensagens de texto eram a prova de que estava ocorrendo a exploração sexual de menores e o tráfico de pessoas. E os investigadores também conseguiram identificar os clientes, porque os números de telefone deles estavam visíveis.”

Uma das mensagens de texto de um cliente para o suspeito dizia: “Eles recomendaram você, muito legal. Mil varos pela güerita.” Outra mensagem: “Estou no hotel… traga-me uma morra interessante”. Com estas e outras mensagens que a Unidade de Polícia de Crimes Cibernéticos descobriu dos dispositivos usando a tecnologia da Cellebrite, os investigadores conseguiram identificar exatamente onde as reuniões estavam acontecendo, qual preço o suspeito estava pedindo pelos encontros com as crianças (menos de US$ 50 por criança) e outros detalhes críticos.

Visualização de conversas de mensagens de texto no Cellebrite Physical Analyzer (imagem: Cellebrite)

“Estas mensagens de texto eram a prova de que estava ocorrendo a exploração sexual de menores e o tráfico de pessoas”, diz o inspetor-geral Pineda. “E os investigadores também conseguiram identificar os clientes, porque os números de telefone deles estavam visíveis.” O mais importante, diz ele, é que a investigação resultou no resgate de três vítimas: duas menores e uma jovem que o criminoso tomara por esposa, mas ainda se prostituía.

A tecnologia que fez uma “diferença especial” em uma investigação urgente
Em agosto de 2020, o principal suspeito neste caso estava em “prisão preventiva, aguardando sua audiência final, que havia sido adiada devido à pandemia da COVID-19. O inspetor-geral Pineda diz que espera plenamente que o indivíduo seja condenado, dadas as evidências digitais que a sua equipe coletou durante a investigação. Os clientes do suspeito que ainda estão sob investigação provavelmente também serão processados, diz ele.

O inspetor-geral Pineda enfatiza que a tecnologia da Cellebrite foi crítica neste caso específico, porque permitiu que a sua equipe fizesse uma extração de dados confiável no telefone Azumi, que é um dispositivo que eles não costumam encontrar nas investigações. “A Cellebrite oferece suporte a vários dispositivos diferentes, muito mais do que as soluções concorrentes, motivo pelo qual a nossa equipe prefere usar esta tecnologia,” ele comenta.

Geração de uma relatório no Cellebrite Physical Analyzer (imagem: Cellebrite)

O Cellebrite Physical Analyzer também “fez uma diferença especial” no caso em função do relatório de extração que a equipe pôde criar. “Optamos pelo formato PDF para o relatório, pois podemos apresentá-lo em uma audiência judicial e mostrar claramente os dispositivos móveis envolvidos, as mensagens que localizamos e assim por diante”, diz o inspetor-geral Pineda. “Essencialmente, todas as evidências necessárias para provar o caso.”

“O tempo é muito importante neste tipo de extração, quando estamos sob uma ordem judicial. No entanto, com a Cellebrite, o cumprimento do mandato judicial não foi um problema. Conseguimos obter as informações dos quatro dispositivos em cerca de uma hora e começar a analisá-las.”

Ao refletir sobre a investigação, o inspetor-geral Pineda diz estar convencido de que, se a Unidade de Polícia de Crimes Cibernéticos não tivesse conseguido usar as soluções da Cellebrite, a equipe teria que recorrer a métodos manuais – e provavelmente, não teria tido sucesso no período de cinco dias atribuídos. “O tempo é muito importante neste tipo de extração, quando estamos sob uma ordem judicial,” ele diz. “No entanto, com a Cellebrite, o cumprimento do mandato judicial não foi um problema. Conseguimos obter as informações dos quatro dispositivos em cerca de uma hora e começar a analisá-las.”

Fontes:
[1] “Mexico’s safest state? Chiapas, security watchdog says,” Mexico News Daily, 1º de junho 2018: https://mexiconewsdaily.com/news/mexicos-safest-state-chiapas-citizens-group-says/.
[2] “Trafficking of women and girls within Central America,” Relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime: https://www.unodc.org/documents/toc/Reports/TOCTASouthAmerica/English/TOCTA_CACaribb_trafficking_womengirls_within_CAmerica.pdf
[3] Secretaria de Segurança e Proteção ao Cidadão do Governo do Estado de Chiapas.
[4] “Data Discrepancies Anger Activists as Cases of Murdered and Missing Girls, Teens Rise,” por Marissa Revilla, Global Press Journal, 7 de setembro de 2019: https://globalpressjournal.com/americas/mexico/data-discrepancies-anger-activists-cases-murdered-missing-girls-teens-rise/.

Share this post