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Fiscalía General De La Nacion Colombia (Crédito: fiscalia.gov.co/colombia/)

As complexas atividades do submundo das organizações criminosas na República da Colômbia vão desde o tráfico de pessoas até a pornografia infantil e o assassinato por encomenda. Frequentemente, os membros dessas organizações são responsáveis por planejar e executar vários crimes. O desafio para a polícia colombiana não é apenas acompanhar uma lista cada vez maior de investigações envolvendo grupos do crime organizado, mas também tentar descobrir se e como determinados crimes estão relacionados. Para os promotores, o desafio é reunir inteligência digital robusta o suficiente para condenar esses criminosos.

A inteligência digital é composta por duas partes: os dados coletados de fontes digitais e tipos de dados (smartphones, computadores e a nuvem) e o processo pelo qual as instituições acessam, gerenciam e obtêm insights desses dados para executar as investigações com mais eficiência.

Atualmente, a correlação das evidências é um exercício manual, demorado e muitas vezes decepcionante para os investigadores na Colômbia. O rápido crescimento do volume de evidências digitais de dispositivos móveis, computadores e da nuvem que estão sendo coletadas para os casos está apenas tornando o trabalho e a capacidade deles de produzir resultados rápidos e significativos muito mais difíceis.

“Sem uma plataforma digital para colaboração, os casos são essencialmente isolados – e as evidências das conexões entre os crimes não são claras. E a solução da Cellebrite tem vastos recursos que nos ajudarão a desenvolver a análise e o gerenciamento das evidências digitais.”

Mas, em breve, as autoridades dos departamentos colombianos de Caldas, Quindío e Risaralda terão mais facilidade em trabalhar juntas para ligar os pontos dos crimes em sua região, graças, em grande parte, aos esforços de Andrés Molina, Técnico de Pesquisa, Computação Forense/Setor de Investigações, da Fiscalía General de la Nación.[1] O laboratório de perícia computacional trabalha em conjunto com a Polícia Nacional da Colômbia.

Molina, com a ajuda da Cellebrite, está implementando um repositório centralizado de dados forenses que permitirá aos investigadores dos três departamentos colombianos colaborarem em casos e compartilharem dados forenses de forma mais rápida e eficiente. O ex-engenheiro de sistemas está cursando o mestrado em segurança da informação e essa iniciativa da criação do repositório decorre do seu projeto de dissertação de montagem de uma ferramenta de estudo analítico para o departamento de Caldas.

O Cellebrite Pathfinder é uma das ferramentas que as autoridades de Caldas, Quindío e Risaralda usarão para analisar os dados que estão compartilhando. A solução usa inteligência artificial e aprendizagem automática para analisar automaticamente os dados coletados de forma a fornecer evidências e pistas, permitindo que os investigadores trabalhem rapidamente e também sejam tão detalhistas quanto necessário ao examinar grandes quantidades de dados.

Cellebrite Pathfinder (Pic: Cellebrite)
O Cellebrite Pathfinder monta rapidamente todas as conexões entre os suspeitos e aqueles com quem eles tiveram contato para começar a criar linhas do tempo valiosas nos casos. (Imagem: Cellebrite)

Alguns dos principais recursos do Cellebrite Pathfinder incluem a capacidade de detectar e categorizar quadros de imagens, como exploração infantil, armas e documentos, usando categorização de imagens e ferramentas de reconhecimento facial. E eles podem pular para imagens específicas rapidamente, inclusive em vídeo. Além disso, os investigadores podem descobrir rapidamente o que os usuários do dispositivo estavam pesquisando na Internet, o que estavam fazendo nos canais de redes sociais e com quem estavam se comunicando, quando e com que frequência on-line ou por telefone.

Eles podem até mesmo usar a solução para determinar a latitude e a longitude da vítima e locais suspeitos em horários específicos. O desenvolvimento de relatórios detalhados, mas fáceis de ler, também é mais simples e menos demorado, pois o Cellebrite Pathfinder permite que os usuários arrastem e soltem elementos visuais, façam anotações e exportem as informações em arquivos PDF para distribuição a advogados, membros do júri e outros.

A implementação do repositório centralizado de dados forenses e o uso das soluções da Cellebrite são apoiados não apenas pela  Fiscalía General de la Nación, mas também pelo prefeito de Caldas. Molina diz que o prefeito está ansioso para ter tudo pronto no ano que vem para que seu gabinete possa começar a correlacionar e analisar os dados.

“Todos os envolvidos neste projeto reconheceram que é um investimento necessário que pode gerar retornos muito significativos”, diz Molina. “Sem uma plataforma digital para colaboração, os casos são essencialmente isolados – e as evidências das conexões entre os crimes não são claras. E a solução da Cellebrite tem vastos recursos que nos ajudarão a desenvolver a análise e o gerenciamento das evidências digitais.”

Rastreamento da figura central em um caso de prostituição infantil

Molina trabalha em Manizales, capital de Caldas. Atualmente, no laboratório de perícia computacional da Fiscalía General de la Nación, ele é uma operação de uma única pessoa – e tem uma carga de trabalho muito elevada. Molina prepara relatórios de especialistas e auxilia os promotores e os investigadores na extração e análise de dados de dispositivos móveis para encontrar evidências digitais que ajudem a respaldar a teoria dos casos.

Kiosini / CC BY-SA (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0)
O UFED foi usado no laboratório da Fiscalía General de la Nación para acessar os telefones do suspeito e extrair todas as informações disponíveis nos dispositivos. (Crédito: Kiosini/CC BY-SA (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0))

As investigações de assassinatos por encomenda e a exploração de menores (por exemplo, mensagens de cunho sexual, aliciamento para prostituição) são os tipos de casos que Molina é frequentemente solicitado a ajudar na investigação. Suas ferramentas essenciais para coletar evidências digitais incluem o Cellebrite UFED, para acessar e extrair dados de dispositivos móveis, e o Cellebrite Physical Analyzer, para transformar os dados criptografados em inteligência útil para as investigações. Quando necessário, Molina pode obter suporte avançado do Cellebrite Advanced Services (CAS) para desbloquear e extrair evidências digitais de dispositivos móveis.

Os membros de grupos do crime organizado na Colômbia costumam ser os principais suspeitos nos casos que Molina investiga, mas às vezes os suspeitos em foco atuam individualmente. Por exemplo, a figura central em um caso de 2017, cuja investigação foi designada ao Molina pelo gabinete do procurador-geral, foi um médico e político local – o ex-prefeito de La Dorada, uma cidade e município no departamento de Caldas.

O Grupo de Crimes Sexuais da Divisão Regional de Investigação Criminal da Polícia Nacional (SIJIN) conduziu a investigação, e o promotor do caso solicitou especificamente a ajuda do Molina graças à qualidade do trabalho que ele havia apresentado em casos anteriores.

“A tecnologia da Cellebrite foi crucial neste caso, pois permitiu que eu identificasse e realizasse pesquisas específicas nos dispositivos do suspeito com rapidez e eficiência…”

O suspeito estava prostituindo menores – duas garotas com menos de 15 anos e uma um pouco mais velha que era a intermediária que ajudava a recrutar e preparar as outras garotas. A atividade chamou a atenção das autoridades quando a mãe de uma das vítimas encontrou mensagens do suspeito no telefone da filha, oferecendo dinheiro para atos sexuais. Inicialmente, a filha não identificou o suspeito para o oficial da investigação, mas durante os interrogatórios na polícia, ela confirmou a identidade dele.

As vítimas e a intermediária deram seus dispositivos móveis – um Samsung, um ZTE e um AOC – aos investigadores voluntariamente. Por ordem do promotor, Molina extraiu e analisou as informações dos três telefones, incluindo mensagens do WhatsApp e do Facebook Messenger. Essa análise revelou o número do WhatsApp e o ID de usuário do Facebook do suspeito, dando à polícia evidências suficientes para realizar uma prisão. Eles confiscaram dois celulares, um Samsung e um Huawei, pertencentes ao suspeito no processo, mas o suspeito se recusou a fornecer o acesso aos dispositivos.

Trabalhando com um cronograma apertado – sem a cooperação do suspeito

Molina usou o Cellebrite UFED para acessar os telefones do suspeito e extrair todas as informações disponíveis nos dispositivos. O dispositivo Samsung continha poucos dados úteis. No entanto, a análise dos registros de chamadas e das conversas do Facebook e WhatsApp que foram extraídos do telefone Huawei forneceram ampla evidência para respaldar o caso do promotor. As evidências eram tão fortes que o suspeito foi aconselhado por seu advogado a se declarar culpado. Ele foi processado e, por fim, condenado a 18 anos de prisão sem possibilidade de liberdade condicional.

“A tecnologia da Cellebrite foi crucial neste caso, pois permitiu que eu identificasse e realizasse pesquisas específicas nos dispositivos do suspeito com rapidez e eficiência,” disse Molina. “Tive um curto período de 15 dias para produzir os resultados, pois o suspeito estava sob custódia. Sem a Cellebrite, teria demorado muito mais do que 15 dias, porque os telefones estavam bloqueados e eu teria que fazer todo o trabalho manualmente.”

O Cellebrite Pathfinder permite que os investigadores reúnam evidências díspares que fornecem uma visualização completa de um caso. (Crédito: Cellebrite)

“Quando pudermos correlacionar informações mais facilmente sobre esses casos, saberemos que seremos capazes de identificar organizações de pornografia infantil que operam em nível internacional…”

Molina observa que o Cellebrite UFED fez uma grande diferença nesse caso, pois a senha do telefone Samsung do suspeito teve que ser extraída via força bruta e foi preciso realizar um root no telefone Huawei. “Nem todos os extratores – ou analistas – conseguem fazer isso”, comenta ele.

Redução da duplicação de trabalho para preservar recursos e melhorar os resultados

Assim que o repositório centralizado de dados forenses e o Cellebrite Pathfinder estiverem instalados, e os investigadores de Caldas, Quindío e Risaralda estiverem colaborando digitalmente, Molina espera ver muitos outros casos concluídos, como o caso de prostituição em 2017. “O advogado do suspeito aconselhou-o a aceitar a acusação, pois as evidências eram muito convincentes”, diz ele “Ao colaborar digitalmente, os investigadores e promotores poderão coletar, analisar e fornecer evidências ainda mais fortes para os casos futuros – e isto também poderá ajudar a encurtar as investigações”.

No momento, como o trabalho em casos costuma ser isolado, as autoridades da região geralmente acabam investigando os mesmos crimes ou indivíduos. “Isso é uma perda de tempo e de recursos preciosos”, diz Molina. Ele explica que as investigações simultâneas geralmente estão relacionadas à pornografia infantil, que tendem a ser casos complexos envolvendo grandes quantidades de informações digitais. Elas também costumam levar a elementos do crime organizado na Colômbia – bem como a redes de pornografia infantil que se estendem a países em todo o mundo. 

“Quando pudermos correlacionar informações mais facilmente sobre esses casos, saberemos que seremos capazes de identificar organizações de pornografia infantil que operam em nível internacional”, diz Molina.

Com uma perspectiva de futuro, Molina diz que espera ver mais organizações na Colômbia e em outros lugares seguindo o exemplo da Fiscalía General de la Nación e investirem em soluções de tecnologia que possam melhorar a forma como os investigadores colaboram, acessam e usam dados e estudos analíticos no trabalho cotidiano. “Isso os ajudará a trabalhar de forma melhor e mais inteligente, e os preparará para o futuro”, diz ele.

Fontes:
[1] Procuradoria Geral da República da Colômbia

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