Este é o terceiro artigo de uma série composta por três partes.

Os crimes que envolvem a exploração sexual infantil estão em alta.
O National Center for Missing & Exploited Children (NCMEC – Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas), uma organização privada e sem fins lucrativos que atua como um centro nacional de coordenação e recursos para informações sobre crianças desaparecidas e exploradas, relata que, em 2019, seu sistema CyberTipline recebeu mais de 16,9 milhões de denúncias. A imensa maioria dessas denúncias era relacionada a abuso sexual infantil: sedução on-line (incluindo “sextorsão” [extorsão sexual]), tráfico sexual infantil e assédio sexual infantil.

A situação global é ainda mais desalentadora. A Organização Internacional do Trabalho estima que, neste instante, 1,8 milhão de crianças estão sendo exploradas em prostituição ou pornografia no mundo todo.

As forças-tarefas do programa Internet Crimes Against Children (ICAC) no mundo todo precisam estar preparadas para atender à crescente demanda por evidências digitais que possam achatar a curva dos casos exorbitantes de abuso sexual envolvendo crianças.

A contratação de mais funcionários faz parte da solução, mas algo ainda mais importante é o investimento em treinamento que precisa ser feito para manter as forças-tarefas do ICAC operando com força total. Aqui, explicamos o porquê.

Desafios crescentes

A tecnologia se expandiu rapidamente, inundando o mercado com telefones celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos que estão mais rápidos, mais baratos e mais acessíveis do que nunca para um maior espectro de pessoas. Aparentemente, hoje em dia, todos têm um telefone celular.

Mobile phones can now hold terabytes of data and many of the most recently released additions are protected by complex encryption codes.
Agora, os telefones celulares podem armazenar terabytes de dados, e muitas das adições lançadas mais recentemente são protegidas por códigos de criptografia complexos. Soluções digitais, como o Cellebrite Pathfinder, podem ajudar a revelar pistas rapidamente com base em grandes volumes de dados.

À medida que as tecnologias digitais continuam evoluindo, dispositivos de todos os tipos estão se tornando mais sofisticados. Agora, os telefones celulares podem armazenar terabytes de dados, e muitas das adições lançadas mais recentemente são protegidas por códigos de criptografia complexos.

“É difícil conseguir identificar tecnologias e treinamentos que funcionarão e atrairão um grupo muito diversificado”.

À medida que os casos de abuso sexual infantil aumentam, também aumenta o número de dispositivos apreendidos pelas instituições de segurança pública: nos casos típicos, geralmente 20 ou mais dispositivos são confiscados por meio de mandados.

O grande número de dispositivos e os enormes volumes de dados que eles produzem estão deixando os responsáveis pela coleta, pelo gerenciamento e pela análise de evidências digitais perdidos em meio a tantas informações.

As soluções de tecnologia que os examinadores de laboratório usam para coletar inteligência digital (DI), definida como os dados que são acessados e coletados de tipos de dados e fontes digitais (smartphones, computadores e a nuvem) e o processo pelo qual as agências acessam, gerenciam e utilizam os dados para executar as operações com mais eficiência, também estão evoluindo.

Como líder em soluções de inteligência digital, a Cellebrite está sempre atualizando as soluções amplamente adotadas, como o Cellebrite UFED e Physical Analyzer. Além disso, novas soluções, como o Cellebrite Pathfinder, estão explorando o poder da IA e da aprendizagem de máquina para permitir que os gerentes das agências visualizem toda a investigação e, ao mesmo tempo, permitir que os investigadores reúnam evidências díspares para produzir inteligência acionável e avançar as investigações mais rapidamente.

Novas soluções, como o Cellebrite Pathfinder, estão explorando o poder da IA e da aprendizagem de máquina para produzir inteligência acionável e avançar as investigações mais rapidamente. (Crédito: Cellebrite)

Acrescente a isso o fato de que os orçamentos são limitados (as agências precisam fazer mais com menos recursos). Então, complemente essa situação com os desafios apresentados pela atual pandemia:

  • Os investigadores estão sendo realocados para preencher os espaços cada vez maiores deixados pela equipe de linha de frente que foi vítima da COVID-19
  • Um número maior de policiais está trabalhando remotamente, o que aumenta o acesso aos dados para conduzir os casos
  • Os conjuntos de habilidades estão se degradando, pois os programas de treinamento estão suspensos

O resultado é uma desaceleração geral das resoluções de casos de crimes contra crianças, no exato momento em que o fechamento forçado das escolas e a rápida ascensão da aprendizagem virtual colocaram mais crianças do que nunca na Internet (e sob o risco de serem exploradas por criminosos sexuais).

As instituições de segurança pública não podem perder a prática na luta contra esses criminosos. Por isso, o treinamento e o acompanhamento das tecnologias mais recentes são tarefas de altíssima importância, principalmente no que diz respeito às forças-tarefas do ICAC.

“Por causa dessa incerteza (causada pelas ameaças de corte de financiamento), nosso volume de trabalho não está diminuindo. Na verdade, está aumentando. Portanto, há uma enorme pressão sobre a equipe. E estamos com muita dificuldade para conseguir gerenciar e projetar exatamente quais são as necessidades e colocar em ação os aspectos [tecnologia e treinamento] que atenderão a essas necessidades.”

Ninguém vê essa situação de forma mais clara que o capitão Michael Edwards, responsável pela seção de vítimas de alto risco e comandante estadual da força-tarefa do ICAC no estado de Washington.

Por que o treinamento do programa ICAC é crucial

Em uma entrevista recente, capitão Edwards expôs alguns dos desafios que sua unidade está enfrentando e por que o treinamento é uma parte tão necessária para manter as equipes do ICAC atualizadas.

Resgatar crianças e processar os criminosos sexuais são os principais objetivos do capitão Michael Edwards, comandante estadual da força-tarefa do ICAC no estado de Washington. (Crédito: jornalista de Auburn)

Ameaças de corte de financiamento:
os pedidos recentes de cortes de financiamento da polícia causaram um impacto direto no departamento dele.
“Não é possível fazer esse trabalho para sempre”, disse Edwards, “então, naturalmente, temos vagas que precisam ser preenchidas. E, agora, principalmente com o movimento que pede o corte de financiamento, não sabemos se haverá equipe ou não para preencher essas vagas”.
Os programas de treinamento necessários para manter a equipe existente atualizada e integrar os novos membros estão no centro das atenções.

Maior carga de trabalho: “Por causa dessa incerteza (causada pelas ameaças de corte de financiamento), nosso volume de trabalho não está diminuindo”, afirmou capitão Edwards. “Na verdade, está aumentando. Portanto, há uma enorme pressão sobre a equipe. E estamos com muita dificuldade para conseguir gerenciar e projetar exatamente quais são as necessidades e colocar em ação os aspectos [tecnologia e treinamento] que atenderão a essas necessidades.” O treinamento é essencial para garantir a alta eficiência para lidar com a crescente carga de trabalho.

Avanços tecnológicos: os avanços rápidos na tecnologia tornam o “acompanhamento” um problema para os investigadores atuais, e as pessoas que o capitão Edwards deseja contratar, inicialmente, podem não ter os conjuntos de habilidades para ajudar a aliviar a carga de trabalho.
“É difícil conseguir identificar tecnologias e treinamentos que funcionarão e atrairão um grupo muito diversificado”, ele diz.

Retenção de habilidades: “Se você não utilizar essas ferramentas de modo regular e contínuo, elas terão uma curta vida útil de retenção e, portanto, em muitos casos, são habilidades perecíveis. Devido à natureza da segurança pública, talvez você esteja trabalhando há muitos anos e, portanto, é menos provável que tenha utilizado essas ferramentas em um nível significativo para manter sua proficiência”.

Da mesma forma, para continuar proficiente em armas de fogo ou manter habilidades precisas de direção em alta velocidade, o treinamento digital exige reciclagem constante.

Desafios de contratação: o treinamento também é levado em consideração quando o capitão Edwards avalia os possíveis candidatos para sua equipe, sabendo que a maioria deles precisará desenvolver habilidades. “Quando pensamos em trazer alguém para essa tarefa em particular, tudo se baseia na aptidão e na capacidade do indivíduo. Portanto, nós avaliamos a pessoa nesses aspectos e a treinamos de modo independente e individual assim que ela recebe a tarefa”.

As várias nuances do treinamento

Felizmente, há muitas opções de treinamento disponíveis, não apenas para aqueles que processam evidências, mas também para detetives, técnicos de laboratórios forenses, analistas e promotores.

Programas formais: como líder global em tecnologia de inteligência digital, a Cellebrite se orgulha de ter programas de treinamento igualmente sólidos que podem ser personalizados para atender às necessidades das pessoas e dos departamentos. O Centro de Aprendizagem da Cellebrite oferece três opções:

On-line ao vivo: essas aulas permitem que os participantes interajam com os instrutores e os colegas em uma sala de aula virtual em tempo real, transmitida no computador do aluno por meio do portal de aprendizagem on-line da Cellebrite.

Sob demanda: aqui, os alunos podem aprender no seu próprio ritmo e conveniência, acessando o treinamento a qualquer hora e em qualquer lugar em seu computador pessoal.

Aulas ministradas por instrutores: os alunos se encontram com o instrutor e os colegas, presencialmente, em uma sala de aula tradicional e interativa em uma unidade de treinamento da Cellebrite.

A Academia da Cellebrite oferece suporte a 11 idiomas diferentes e a vários formatos, como aulas on-line ao vivo e sob demanda. (Crédito: Cellebrite)

Os currículos são desenvolvidos por especialistas no setor. As aulas são ministradas pelas maiores autoridades na comunidade de inteligência digital e muitas delas dão direito a várias certificações, que os alunos podem usar para se desenvolver.

Blogs e webinars: os especialistas da Cellebrite também mantêm blogs e oferecem webinars contínuos, criados para ajudar investigadores, examinadores e analistas a acompanhar os mais recentes avanços tecnológicos, divididos em seções de fácil compreensão. Um número crescente desses recursos também é acompanhado por vídeos que facilitam a aprendizagem usando simulações de casos reais. 

“E, de fato, [o que aprendi na aula] funcionou. Conseguimos pegar a chave, coletar os dados e obter as evidências.”

Conferências: Há sete anos, o capitão Edwards viu a necessidade de criar um programa educacional contínuo que não apenas beneficiasse sua própria equipe, mas ajudasse os investigadores do ICAC no mundo todo.
Ele convocou o detetive da sua equipe, Ian Polhemus, para montar o programa e, assim, nasceu a Northwest Regional ICAC Conference.

A ICAC Conference amplia as iniciativas e a base de conhecimento dos investigadores de segurança pública, examinadores de perícia digital e promotores, oferecendo um treinamento altamente especializado e concentrado na investigação e no julgamento de crimes contra crianças facilitados pela tecnologia. (Crédito: ICAC)

Agora em seu 7º ano, o programa cresceu de 50 participantes no primeiro ano para centenas de profissionais do ICAC no mundo todo que, agora, fazem questão de participar todos os anos. O evento de cinco dias, geralmente realizado no campus da Microsoft, oferece um fórum para que investigadores, promotores, examinadores forenses, profissionais do setor e acadêmicos se reúnam para aprender, colaborar e compartilhar seus conhecimentos sobre investigações de crimes digitais que envolvem exploração sexual infantil.

Devido à pandemia, o evento deste ano foi completamente virtual, mas o detetive Polhemus e sua equipe realizaram outro evento de sucesso, que incluiu 571 participantes, representando 43 estados dos EUA e oito países estrangeiros. Ao longo de dois dias, os participantes desfrutaram de 42 sessões ministradas por alguns dos maiores especialistas na área.

Polhemus também acrescentou que um dos motivos pelos quais a conferência tem tanto sucesso são as parcerias com empresas privadas, como a Cellebrite, que oferecem treinamento e recursos financeiros que os orçamentos internos não conseguem cobrir.

Outros recursos: por fim, há vários recursos on-line de desenvolvimento de habilidades, incluindo histórias de clientes, estudos de caso, white papers, podcasts e e-books, para explorar.

Um caso do treinamento

Quando indagado sobre uma aula de treinamento da Cellebrite que tenha causado um impacto imediato em um caso, o detetive Randy Kyburz, outro membro da equipe do ICAC do departamento de polícia (DP) de Seattle, apontou rapidamente um exemplo em que participou de uma aula do National White Collar Crime Center sobre o Windows Forensic Environment (WinFE) e, no dia seguinte, usou o que aprendeu em classe para ajudar um colega a resolver um caso.

“Uma parte muito pequena da aula foi sobre contornar o BitLocker ou obter as chaves do BitLocker usando o WinFE e um script.

Voltei à agência e, literalmente, no dia seguinte, meu colega de trabalho estava trabalhando em um caso em que não conseguia acessar um dispositivo bloqueado pelo BitLocker.

Eu disse que queria tentar uma coisa. E, de fato, [o que aprendi na aula] funcionou. Conseguimos obter a chave e ele conseguiu coletar os dados e as evidências.”

Ter uma equipe treinada que possa acessar as evidências rapidamente pode fazer a diferença entre tirar um criminoso da rua ou deixá-lo prejudicar mais vidas. Ao ponderar o custo do treinamento e o custo de salvar até mesmo uma criança da exploração sexual, a escolha é clara. O treinamento salva vidas. E esse é um investimento pelo qual todos nós precisamos lutar.

Leia a parte 1: O poder da vocação: Força-tarefa do ICAC do DP de Seattle utiliza a inteligência digital para impedir crimes contra crianças

Parte 2: Um dia na vida da força-tarefa do ICAC do DP de Seattle – salvando uma criança de cada vez